Rio Grande tem perda de R$ 20 milhões desde 2010

    Prejuízo por interrupção de atividades devido a fatores climáticos afeta donos de carga e armadores

    Podem passar de R$ 20 milhões os prejuízos nos últimos dois anos e meio no Porto de Rio Grande por conta da paralisação das atividades. Somadas as horas paradas, chega a 76 o número de dias em que algum motivo impossibilita manobras dos navios por condições climáticas.

    Ocálculo das perdas de proprietários de cargas ou armadores (empresas responsáveis pelo transporte) é estimado pelo Sindicato das Agências de Navegação (Sindanave). Pela diferença no movimento do porto conforme a época do ano, é impossível precisar o prejuízo de um dia sem atividades. Em períodos de safra de grãos, por exemplo, há mais navios. Fora dessa temporada, a frequência diminui.

    Assim, o cálculo é feito com base no número de embarcações que passam no porto por ano, estimando que de oito a 10 navios operem nas águas gaúchas a cada dia. Pela variedade de cargas, precisar o custo de uma embarcação parada fica ainda mais difícil. Mesmo assim, a perda de cada dia de navio inativo é estimada entre R$ 70 e R$ 80 mil. Contados 76 dias, o prejuízo de armadores e proprietários de carga passaria de R$ 20 milhões.

    – Dependendo do material que deveria ser descarregado, qualquer atraso causa uma reação em cadeia, que aumentaria ainda mais esse valor – comenta o presidente do Sindanave, Eduardo Adamczyk.

    Mesmo com os eventuais problemas, porém, o porto gaúcho segue como melhor destino para carga e descarga, na opinião de Adamczyk. Eventuais fechamentos são compensados por calado, armazéns e velocidade de operações, condições que o dirigente considera melhores do que as de Santa Catarina, Paraná e Rio de Janeiro. Essas condições garantem a Rio Grande o posto de segundo mais importante em cargas do Brasil.

    – Seria necessário que o porto investisse em estruturas mais modernas para evitar cancelamentos de operações. Há boias inteligentes, que sinalizam o canal e garantem a navegabilidade, por exemplo. É preciso garantir operações 24 horas por dia. Assim, o porto seria altamente competitivo – adverte Adamczyk.


    O que atrapalha a operação
    Como as condições climáticas interferem na atividade portuária:
    – Não há medida oficial que determine condições para fechar o porto.
    – Por acordo entre a praticagem (serviço de auxílio ao navegante, especialmente em áreas onde há dificuldades para o trânsito de navios) e a Marinha, três condições podem causar a interrupção das atividades:
    Ventos acima de 55km/h
    Ondas acima de 3 metros
    Visibilidade inferior a 450 metros
    – A combinação desses fatores ou até um isolado, conforme as condições climáticas, tira as condições mínimas de segurança na navegação.
    – De acordo com a praticagem, responsável também pelo monitoramento dessas condições, realizado na entrada do porto, Rio Grande tem uma vantagem em relação aos demais portos brasileiros: justamente por não ter uma lei que estabeleça as condições de navegação e ser regido por um acordo entre praticagem e Marinha, é possível, para os práticos, conduzir navios mesmo que os parâmetros preestabelecidos de vento, ondas e visibilidade não estejam adequados.
    – Assim, algumas embarcações podem entrar, sair, carregar ou descarregar de acordo com seu formato, peso ou carga mesmo que haja rajadas de vento, correnteza forte ou baixa visibilidade.

    Sistema promete reduzir o transtorno

    Um investimento está previsto para tentar reduzir o número de horas paradas em Rio Grande. O porto será contemplado, nos próximos meses, com o Sistema de Gerenciamento de Tráfego de Navios (VTMS, na sigla em inglês). O projeto irá monitorar o tráfego hidroviário, rastreando toda a área do porto organizado. O plano é da Secretaria Especial dos Portos, que contratou a empresa americana Unisys (referência em tecnologia da informação) para a elaboração.

    O objetivo é atacar diretamente o congestionamento de navios nos portos brasileiros e as dificuldades relacionadas à entrada e saída de embarcações e cargas pelo mar. No ano passado, a Unisys finalizou os trabalhos do projeto Carga Inteligente, que oferecerá monitoramento e aumentará a segurança do transporte.

    Será possível, com esse procedimento, reduzir o tempo de espera dos navios que estão fora dos portos, além de integrar os departamentos responsáveis pelo monitoramento dos navios e facilitar a troca de informações, levando a uma navegação segura. Tudo isso será realizado por um sistema de radar e Identificação Automática (AIS), responsável por realizar toda a varredura no porto. Salvador (BA), Rio de Janeiro e Itaguaí (RJ) também serão contemplados.

    Em 2012, até o momento o tempo tem ajudado. Foram apenas cinco dias de paralisação, sendo quatro por baixa visibilidade e uma por ondas grandes e ventos fortes. Pela posição geográfica, Rio Grande é mais suscetível a intempéries do que os demais portos brasileiros. Como está em uma zona sub-tropical, fica mais sujeito à exposição de ventos fortes, chuva intensa (que diminui a visibilidade) e aumento da força da correnteza.


    Fonte: Rafael Divério/Zero Hora 





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