Estado de S. Paulo destaca: Estaleiro Rio Grande é referência nacional

    Ilha de excelência em um setor que tem se caracterizado por atrasos em obras e pelo descumprimento de prazos contratuais firmados com as petroleiras, o Estaleiro Rio Grande, no extremo sul brasileiro, começou a produção em série de oito plataformas para a exploração do pré-sal da Bacia de Santos.
    Simultaneamente, o Rio Grande, arrendado pela Petrobrás por dez anos ao Grupo Engevix, conclui a plataforma semissubmersível P-55. Em fase final de construção após o sucesso da junção do casco com o módulo superior, a P-55 passa por obras de expansão, com a criação de um segundo estaleiro, destinado à fabricação de sondas.
    O estaleiro integra o Polo Naval de Rio Grande, cidade histórica a cerca de 350 km de Porto Alegre e a pouco mais de 200 km de Chuí, cidade mais ao sul do território brasileiro, já na fronteira com o Uruguai.
    Chamadas de replicantes, as oito plataformas flutuantes (FPSOs) foram concebidas de acordo com projetos de simplificação e padronização de equipamentos preconizados pela Petrobrás para agilizar e baratear os custos bilionários. Os seis contratos firmados até agora para a fabricação dos FPSOs somam US$ 4,5 bilhões.
    A montagem dos blocos de duas plataformas já começou, ao lado do dique seco onde são realizados os complementos da P-55. O cronograma da Petrobrás prevê que a primeira replicante ficará pronta em julho do ano que vem. A oitava, em janeiro de 2016.
    As oito FPSOs (cada unidade é capacitada para produzir, armazenar e transferir petróleo e gás) serão empregadas nos blocos BM-S-9 e BM-S-11, operados pela Petrobrás na área do pré-sal da Bacia de Santos (litoral sul do Estado do Rio e norte de São Paulo).
    O boom da indústria naval em Rio Grande (cidade com 198.051 habitantes, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) começou em 2005, com o início da construção pelo consórcio Quip (sociedade empresarial capitaneada pela companhia Queiroz Galvão) dos módulos da plataforma P-53. Até então, o município gaúcho definhava economicamente, com indústria, pecuária e agricultura pouco expressivas.
    “Não havia nada aqui neste sentido. Havia, sim, uma descrença muito grande quanto a termos em Rio Grande uma indústria naval e offshore. Achavam que era uma oportunidade de momento”, rememora Edmilson de Medeiros, o gerente da Petrobrás encarregado da P-53 e, posteriormente, da P-55.
    A partir do sucesso da P-53, o governo federal decidiu construir um estaleiro moderno no litoral do Rio Grande do Sul. Atraída pela possibilidade de progresso da indústria naval na região, a companhia WTorre venceu a licitação e ergueu o Estaleiro Rio Grande, que ficou pronto em setembro de 2010. A empresa arrendou-o e, depois, o vendeu.
    No estaleiro do Quip, no Porto Novo de Rio Grande, está sendo realizada a conversão da plataforma P-58, encomenda da Petrobrás. Nele também acontece a construção dos módulos da P-63, cujo processo de integração com o casco que virá da China está previsto para o primeiro semestre de 2013.

    O problema de falta de mão de obra qualificada na área levou à criação de cursos especializados. A Engevix já treinou 700 profissionais de categorias como soldadores, montadores de estruturas, caldeireiros, operadores de maçarico, encanadores e pintores industriais. O grupo estima que chegará ao final deste ano com 3,2 mil empregados e, em 2013, com 5 mil. Para cargos estratégicos de engenharia e gestão, desenvolveu com a Universidade do Vale de Rio dos Sinos (Unisinos) um MBA voltado à indústria naval.

    Ex-entregador de jornais, Luciano dos Passos, de 37 anos, ingressou no canteiro de obras do Quip em 2006, como ajudante de almoxarifado da obra da P-53. Hoje, cuida de todo o material da P-63. Passou seis meses na China, no estaleiro que faz a conversão do casco da plataforma.
    “Tinha muito interesse em progredir. Fui aprendendo no dia a dia. Hoje vivo com dignidade, com minha mulher e minha filha de 12 anos”, disse ele.
    A futura engenheira Celine Campani Carvalho, de 29, também é personagem do crescimento da indústria naval em Rio Grande. Aprovada em concurso da Petrobrás, ela deixou Niterói (RJ), sua cidade natal, há cinco anos para trabalhar no Estaleiro Rio Grande como técnica em infraestruturas navais. Exerce hoje a função de coordenadora operacional do empreendimento.
    Celine cursa o segundo ano de engenharia mecânica empresarial na Universidade Federal do Rio Grande (Furg), na cidade. Sua meta, diz, é desenvolver-se profissionalmente no setor naval. “Mas sempre indo a Niterói visitar minha mãe”, afirmou ela.
    Fonte: Sérgio Torres – O Estado de S. Paulo

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