Indústria oceânica se consolida no RS e projeta três décadas de investimentos

    Extensa reportagem publicada pelo Portal Sul 21 sobre a indústria oceânica no Estado. Destaco a seguir alguns pontos interessantes, para ler a matérica completa (super recomendada), clique aqui.

    “Há pelo menos 30 anos pela frente. O projeto de investimentos em óleo e gás da Petrobras é um dos maiores do mundo. O RS tem conseguido uma parcela importante destes negócios”.

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    Marcus Coester explica que a ideia de encontrar um novo polo naval partiu da constatação de que Rio Grande não poderia dar conta de tantos investimentos. “Nasceu em função das limitações que vieram com a consolidação do polo naval de Rio Grande. Não havia mais área de cais disponível e a cidade não tinha capacidade para absolver os investimentos da indústria oceânica na velocidade em que estão acontecendo. Acabaria dando um colapso”, conta.

    A partir desta constatação, o Governo passou a trabalhar com a ideia de que era possível aproveitar o sistema de hidrovias do Estado para expandir a indústria oceânica — que depende das águas para produzir e transportar seus equipamentos – para as margens de rios, lagos e lagoas. Foi feito, então, um mapeamento de toda a hidrovia que liga Rio Grande à região central do Estado, da Lagoa dos Patos até o Rio Jacuí.

    A Lagoa foi afastada porque sua hidrovia fica do lado leste, onde há apenas municípios muito pequenos, como Mostardas e Tavares, e nenhuma infraestrutura.  Porto Alegre e Guaíba, que oferecem área muito reduzida, não estão totalmente descartadas para receber empreendimentos de menor porte. Continuando a subir há o Delta do Jacuí que é uma área de preservação e depois a região de Charqueadas que apresentou um calado muito bom para a construção de módulos e outros equipamentos para a indústria oceânica. Cidades vizinhas, como São Jerônimo,Triunfo e General Câmara também poderão receber empreendimentos.

    “Nesta região, o Jacuí tem um calado de 5 metros, que só não permite construir as plataformas de grande porte e sondas, mas no processo de fabricação há outras etapas, como os módulos, que vão ser construídos em Charqueadas. Para eles é preciso apenas 2,5 metros de calado, então temos um calado muito bom”, afirma Coester. Entre as vantagens da região de Charqueadas, também estão a proximidade com a Região Metropolitana, com sua abundância de mão-de-obra e acesso à educação.

    “A facilidade de acesso – por rodovia, à unidade de Charqueadas, e por hidrovia, ao polo naval de Rio Grande e ao Oceano Atlântico – foi um fator decisivo para a escolha daquele município, por atender aos requisitos de logística de transporte de grandes módulos. A disponibilidade de mão de obra qualificada na região e a existência de várias escolas técnicas revelaram-se outros dois fatores de diferenciação”, afirma a IESA Óleo & Gás, por meio de sua assessoria de imprensa.

    A empresa também destaca o apoio do Poder Público. “O apoio do Governo do Estado do Rio Grande do Sul e da Prefeitura de Charqueadas nas questões de obtenção da área, equacionamento das necessidades de infraestrutura e licenciamento das instalações foi fundamental no processo decisório da IESA Óleo & Gás”.

    O Governo do Estado ajudou a instalação dos empreendimentos em Charqueadas com obras de infraestrutura, incentivos fiscais, financiamentos e agilizando os licenciamentos ambientais. “A FEPAM tem dado alta prioridade aos investimentos na indústria oceânica”, afirma Marcus Coester. Nos protocolos assinados pelas empresas, elas se comprometem a dar preferência a matéria-prima local.

    A Prefeitura de Charqueadas atuou na desapropriação das áreas e também com incentivos fiscais. Agora, o município está cheio de boas perspectivas, mas também de desafios. “Vão aumentar o emprego e a renda. Vai haver crescimento muito grande em todos os setores, principalmente para o comércio, serviços e moradia. Mas precisaremos melhorar a mobilidade urbana, a qualificação”, afirma a secretária de Indústria e Comércio de Charqueadas, Roselaine Berbigier.

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    Em 2010, a Ecovix arrendou o Estaleiro Rio Grande, da Petrobras, por dez anos, onde já investiu R$ 410 milhões. Entre os investimentos, está a aquisição de um guindaste do tipo pórtico com capacidade para içar 2 mil toneladas. A empresa já está construindo o Estaleiro Rio Grande (ERG) 2 e planejando a construção do ERG 3.  A segunda fase de investimentos da empresa em Rio Grande deve custar em torno de R$ 300 milhões e vai permitir que a Ecovix dispute o mercado de sondas de perfuração.

    Ao final de 2012, a companhia terá 3,2 mil trabalhadores na cidade do litoral sul do Estado. No ano que vem, chegará o empreendimento chegará ao pico de 5 mil colaboradores, se estabilizando nesta faixa. Para ter mão-de-obra qualificada, a Ecovix iniciou em fevereiro de 2011 uma parceria com o SENAI que já formou 700 trabalhadores. A companhia planeja treinar mais 2 mil pessoas. Há também uma parceria com a UNISINOS para engenheiros e gestores realizarem MBA na própria companhia.

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    Beky acredita que pelo menos os próximos dez anos já estão garantidos com os investimentos da Petrobras, mas que depois será preciso diversificar a produção. O transporte hidroviário de cargas ainda patina no país, por exemplo, e um eventual crescimento desta atividade, com melhorias nas hidrovias, pode beneficiar a indústria naval. Para a economista, as dificuldades do país em infraestrutura também significam oportunidades. “Ainda faltam muitos investimentos em infraestrutura no país. Que bom que ainda temos coisas por fazer”.

    Fonte: Felipe Prestes – Sul 21. Clique aqui para ler a reportagem completa. 
     
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