Porto de Rio Grande na rota da exportação de soja

    Apesar de apenas 20% da safra de soja ter sido colhida no Rio Grande do Sul até o momento, a capacidade do Porto de Rio Grande vem sendo posta à prova prematuramente. No Brasil, o percentual de colheita de soja ultrapassa os 50%, o que já representa estrangulamento nos portos de Santos e Paranaguá. Segundo dados da consultoria Williams, havia 27 navios esperando para embarcar milho, soja e derivados no porto de Santos (SP) e 106 navios em Paranaguá (PR) na primeira quinzena de março.

    Graças ao caos nos portos paulista e paranaense, a procura por Rio Grande tem aumentado por dois motivos: o tempo de embarque é mais rápido e o prêmio, que leva em conta fatores como a origem e o destino do produto exportado, o frete marítimo, entre outros fatores, é bastante inferior. Atualmente, o prêmio do porto gaúcho é estimado em 22 pontos positivos para abril, enquanto que, em Paranaguá e Santos, é de 22 pontos negativos. Nos cálculos do analista de soja da Safras Flávio França Junior, a vantagem é de um dólar.

    Até o momento, 1,3 milhão de toneladas de soja foram embarcados por Rio Grande, segundo o superintendente Dirceu Silva Lopes. A movimentação da oleaginosa no porto deverá atingir 8 milhões de t neste ano, das quais 2 milhões deslocados de Paranaguá e Santos. No ano passado, o volume do grão embarcado não passou de 3,4 milhões de t, pelo efeito da estiagem. De acordo com a Conab, a produção de soja no Rio Grande do Sul será de 12 milhões de toneladas.

    Para reduzir o risco de colapso no porto sulista, cujo pico de embarques começa nesta semana e segue em abril e maio, a estratégia é a de agendamento de cargas, estabelecido principalmente com cerealistas e cooperativas. Segundo Lopes, é mais fácil contar com a organização dos que movimentam grandes cargas. ‘Poderemos ter algum problema com o grão produzido na zona Sul, cujo volume está sendo ampliado’, alerta. Na percepção do presidente dos terminais Termasa/Tergrasa, Caio Vianna, apesar da produção superior, não haverá grandes atropelos em Rio Grande. ‘Diferente de outros anos, já temos cinco navios Panamax agendados para atracar em março.’ Do ano passado para cá também houve investimento de R$ 18 milhões para ampliar a capacidade estática de armazenagem para as atuais 560 mil toneladas.

    Gargalos começam nas rodovias
    Em termos de transporte rodoviário no Rio Grande do Sul, o principal problema no escoamento da safra de soja exportada é a BR 158, no trecho que compreende Palmeira das Missões a Santa Maria. O trecho de 140 quilômetros de asfalto de má qualidade e de pista simples é bastante congestionado e a estrada avariada, diz o presidente dos terminais Termasa/Tergrasa, Caio Cézar Fernandez Vianna. Por isso, no pico da safra, ocorrem engarrafamentos pesados, retardando o tempo de transporte de uma hora e meia para cinco horas. Segundo Vianna, esse trecho está sendo recuperado, mas, infelizmente, em pleno início da colheita.

    Outra obra fundamental para o escoamento de grãos rumo ao Porto de Rio Grande é a duplicação da BR 392, iniciada em janeiro de 2012. A obra, quase toda concluída, está dividida em quatro lotes entre Rio Grande (km 0) e Pelotas (km 67), com previsão de investimentos da ordem de R$ 350 milhões. Por dia, passam pela rodovia 10 mil veículos, dos quais 6 mil são caminhões. A rodovia é o único acesso ao Porto de Rio Grande. Entre o município e Porto Xavier, no Noroeste, são 718 quilômetros. Mas os 60 quilômetros que ligam Rio Grande a Pelotas são considerados os mais perigosos.

    O presidente da Aprosoja RS, Irineo Orth, julga que a soja da região de Passo Fundo poderá ser escoada de forma escalonada. ‘Os armazéns estão vazios, pela seca do ano passado, o que permitirá armazenar a produção e desconcentrar o transporte dos grãos. Podemos ter problemas, mas nos contratos de curto prazo’, diz Orth. O dirigente e produtor lembra também que o aumento do esmagamento da oleaginosa na região, por conta das plantas de biodiesel, reduziu a necessidade de movimentação do grão no Estado. ‘Esse esmagamento faz com que o farelo seja consumido na própria região do Planalto Médio, nas criações de suínos e aves.’

    Fonte: Jornal Correio do Povo
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