Informe Econômico e o polo naval de Rio Grande

    A coluna Informe Econômico do jornal Zero Hora de hoje apresenta somente informações sobre o “polo naval” de Rio Grande. Um fato raro, tratando-se do espaço relativo a economia no maior jornal do Estado. Reproduzo a seguir os tópicos escritos pela jornalista Maria Isabel Hammes.

    * Às vésperas de entregar a segunda plataforma construída no Estado, a P-63 (a primeira foi a P-53 em 2008), o trabalho é intenso no polo naval de Rio Grande. Contrato de US$ 1,3 bilhão a cargo da empresa Quip (Queiroz Galvão, Camargo Correa e Iesa), a gigante cujo tamanho é o equivalente a três campos de futebol e pesa em torno de 50 mil toneladas terá capacidade para 140 mil barris de petróleo por dia e 1 milhão de metros cúbicos de gás e vai operar no campo Papa Terra, na bacia de Campos. A ideia é entregar a plataforma para a Petrobras no dia 31, em solenidade com a presença da presidente Dilma, mas ainda não há confirmação oficial. 

    * Com casco feito na China, começou a ser construída em 2010 e, agora, o momento é o de ajustes finais, com forte cheiro de pintura quando se visita a estrutura e um vaivém incessante dos trabalhadores envolvidos no projeto – ao todo, são quase 10 mil na Quip (70% contratados no Estado). Eles também executam no polo naval mais duas: a P-55 e a 58, ambas com previsão de entrega no segundo semestre. A plataforma, que será autossuficiente em energia elétrica e abastecerá outras, inclusive, a partir do gás, tem em seu conteúdo 75% de equipamentos nacionais, 10 pontos percentuais acima do previsto pela estatal.

    * Entre as novidades do projeto da P-63 (acima), está o fato de que teve toda a sua engenharia básica desenvolvida pela empresa, que se responsabilizará, também pela primeira vez, por acompanhar durante um ano e meio a sua operação em alto-mar, onde a vida útil é de 30 anos, fase seguida por uma de manutenção. À Petrobras coube detalhar os dados gerais da obra pretendida. 

    * Diretores da Quip, Marcos Reis e Miguelangelo Thomé asseguram que, além de entregar a plataforma funcionando, estão sendo feitos todos os testes necessários e será acompanhada a operação por um ano e meio. É a primeira vez que uma empresa nacional faz esse tipo de serviço. Os executivos acrescentam que a tecnologia utilizada não fica devendo nada para a disponível no Exterior.

    * Para fazer frente aos projetos no polo naval, a Quip investiu R$ 400 milhões em Rio Grande. E é ali que pretende ficar, esperançosa com as próximas licitações: relativas a 75 e a 77, cujos envelopes devem ser abertos em breve, e que terão os cascos convertidos parcialmente na China. Conforme os diretores da Quip, Marcos Reis e Miguelangelo Thomé, “nossa casa é aqui (Rio Grande), onde estamos vivendo um momento muito importante.” E acrescentam: “é a fase de maturidade da nossa indústria naval, renascida há pouco menos de uma década, com benefícios para todos, inclusive com milhares de empregos que antes eram criados na China e Coreia do Sul.”

    * Recentemente, a Quip foi uma das que concorreram – e perderam – no processo de licitação para as duas primeiras plataformas que vão operar no pré-sal: a 74, que será construída em São José do Norte pela EBR, e a 76, no Paraná. Sobre isso, os executivos alfinetam, em referência à falta de experiência da concorrente:

    – Mas nunca perdemos concorrência para um estaleiro que já existe.

    * Executivos da Quip, empresa que constrói a P-63, não escondem preocupação com alguns rumos que a política nacional do setor está tomando. Um deles é a criação de estaleiros em diversas regiões do país. Marcos Reis e Miguelangelo Thomé, diretores da Quip, argumentam que os estaleiros “não podem pipocar em qualquer lugar”, devendo dar prioridade aos existentes e estabelecer estratégia política a longo prazo. A partir disso, também é preciso incentivar a criação de indústria periférica que atenda ao setor e à Petrobras.

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