Marco’s em Gramado, Construtora Pelotense em Três Coroas.

    Estou acostumado a ver, em Pelotas e Rio Grande, a presença de empresas da serra gaúcha. Por diversas áreas que transito, encontro “marcas” oriundas daquela região do Estado. Ônibus é Marcopolo ou Neobus; carroceria de caminhão é Randon; loja de eletrodomésticos é Colombo; utilidades domésticas são da Tramontina; móveis são Todeschini, Carraro e SCA; vinho é Miolo, Salton ou Aurora, entre muitos outros exemplos que eu poderia citar aqui. 

    Já escrevi diversas vezes sobre isso neste espaço, relatando a minha admiração pela cultura empreendedora criada naquela região. A riqueza de lá, a meu ver, não é fruto de vantagens oferecidas pelos governos estadual e federal, ou da ajuda do clima, ou mesmo da sorte, como frequentemente ouço. É resultado de muito trabalho e inovação, um case único de sucesso no Brasil: uma região relativamente pequena em população (cerca de 800 mil habitantes em 31 municípios), mas com inúmeras empresas, nas mais diversas áreas, que alcançaram sucesso, reconhecimento e protagonismo.


    O blog Caminhos da Zona Sul trata da economia da região em que moro, a Zona Sul do Rio Grande do Sul, especialmente sobre Pelotas e Rio Grande. Considero a nossa região extremamente carente em empreendedorismo. Vejo serem tratados, como “exemplos” de riqueza, pessoas que não são exatamente geradoras de emprego e renda para as cidades, ainda que, importante ressaltar, ganhem dinheiro de forma absolutamente lícita e legítima. Aliado a isso, observo uma espécie de dependência coletiva a investimentos exógenos. Não que eles não sejam importantes, são e muito, mas não é a “Votorantim”, o “polo naval” ou a “energia eólica” que mudarão (no caso da Votorantim Celulose e Papel o tempo verbal adequado seria o futuro do pretérito) a realidade econômica que vivenciamos durante anos.


    Escrevi este pequeno artigo motivado por duas cenas que vi e que me chamaram a atenção. Estive neste final de semana na serra gaúcha, e vindo de uma região com poucas empresas com relevância em outros mercados, fiquei feliz ao ver a presença em Gramado do restaurante Marco’s (sede em Rio Grande e três filiais em Porto Alegre), assim como, no retorno da viagem, parei o carro para fotografar o que está no fim deste post: a Construtora Pelotense, além de muitos outros contratos (entre eles dois que somam mais de 100 milhões em lotes da duplicação da BR-116), executa obra em Três Coroas. 


    Acredito que exemplos como esses dois, de empresas daqui que obtém sucesso em outras cidades, devem ser sempre ressaltados. Pelo menos até o dia em que isso seja tão natural quanto é, para um caxiense, andar em um ônibus da Marcopolo na África do Sul ou ver um trator Agrale na Turquia.

    Restaurante Marcos em Gramado
    Construtura Pelotense em Três Coroas.

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