Soja amplia lavouras no Sul

    Devemos observar com atenção informações sobre novas atividades em desenvolvimento na região. Produção de soja crescente na região (a área plantada em terras baixas do Rio Grande do Sul aumentou de 66 mil hectares na safra 2010/11 para 156 mil ha em 2011/12), viticultura, turismo histórico, novas formas de geração de energia, olivicultura e empresas ligadas a tecnologia (AG2, Gestum, Conrad Caine e Contronic são protagonistas nos setores em que atuam) são algumas das áreas que iremos ouvir falar cada vez mais por aqui. A seção “nova economia” pretende acompanhar esse movimento.

    Produtor de soja em Vacaria, no norte do Estado, Narciso Barison Neto percorreu mais de 660 quilômetros, até Aceguá, para aumentar a área plantada. O movimento de Barison não é isolado e mostra o crescimento da migração de agricultores para a metade sul do Estado – onde a lavoura do grão mais do que dobrou na última década.

    Conforme levantamento da Emater, divulgado recentemente durante a 36ª Expointer, as lavouras de verão do Rio Grande do Sul ganharão 127,3 mil novos hectares de soja no ciclo 2013/2014.

    A expansão se dará em cima da redução de quase 40 mil hectares do cultivo de milho e de 96,2 mil hectares de áreas tradicionalmente ocupadas por pecuária no sul do Estado. Nas regiões de Bagé e Pelotas, por exemplo, a área plantada com o grão na última década aumentou 120% e 184%, respectivamente.

    – Preços em alta e demanda aquecida fazem com que produtores com expertise em grãos busquem novas áreas para plantar nessas regiões onde a pecuária e o arroz sempre dominaram a agropecuária – destaca o presidente da Emater, Lino de David.

    Além da possibilidade de expansão, o preço da terra no Sul, na Fronteira Oeste e na Campanha também ajuda a atrair os produtores do Norte. A diferença no valor do hectare foi determinante para Barison investir em mil hectares em Aceguá, na fronteira com o Uruguai. Na propriedade, com áreas de várzea e coxilha, irá plantar soja e arroz pela primeira vez na próxima safra.

    – O preço do hectare no Sul custa 30% do que eu pagaria na região Nordeste. Somado a isso, terei menos custos de transporte para escoar a soja até o porto em razão da distância menor – disse Barison, enquanto fechava na Expointer a compra de um trator que será usado na nova lavoura.

    A aposta dos produtores de soja na Metade Sul, ainda mais diante da seca que atinge as lavouras do grão em regiões dos Estados Unidos e farão a oferta mundial diminuir, é ponderada pelo diretor técnico da Emater, Gervásio Paulus.

    – Esse avanço nos preocupa porque o solo nessa região é bem mais sensível, o que aumenta a possibilidade de erosões – explica.

    Quanto à safra total de grãos, incluindo milho, arroz e feijão, a estimativa é de pouca mudança na área plantada em relação ao ano passado, com destaque para a variação negativa prevista para a lavoura de milho. Se a previsão de um ano normal se confirmar, com chuvas regulares, a entidade aposta em uma safra cheia – semelhante à colhida neste ano.

    Fonte: Joana Colussi – Caderno Campo e Lavoura – Jornal Zero Hora
    ________________________________________________________  
    Curta o Blog no Facebook
    Receba as atualizações do Blog no seu e-mail (newsletter)   




    Comentários