Eletrosul adota tecnologia em sistema de transmissão eólica

    Para garantir a robustez necessária ao sistema de transmissão que irá escoar a energia do Complexo Eólico Campos Neutrais, considerado o maior da América Latina – empreendimento da Eletrosul e parceiros, com 583 megawatts de potência, em implantação no extremo Sul gaúcho – estão sendo instalados na Subestação Marmeleiro, em Santa Vitória do Palmar (RS), dois compensadores síncronos rotativos de grande porte.

    Esses equipamentos permitem controle mais efetivo da tensão na rede, uma vez que a geração eólica tem a peculiaridade de ser intermitente. O investimento total na subestação é superior a R$ 100 milhões.

    A Subestação Marmeleiro é uma das três novas unidades que estão em construção no Rio Grande do Sul sob responsabilidade da Transmissora Sul Litorânea de Energia (TSLE) – empresa constituída pela Eletrosul (51%) e Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica – CEEE-GT (49%). O novo sistema de transmissão inclui a implantação de quase 470 quilômetros de linhas em extra-alta tensão (525 kV), que escoarão a energia dos parques eólicos até a Região Metropolitana de Porto Alegre para chegar aos maiores centros consumidores. O investimento total é de aproximadamente R$ 800 milhões e o início da operação está previsto para o segundo semestre.

    Ineditismo

    A montagem dos síncronos foi um projeto inédito para a fabricante WEG, de Jaraguá do Sul (SC), e é uma novidade no sistema elétrico brasileiro, considerando as dimensões e potência das máquinas. Cada equipamento tem 11 metros de comprimento e 7 metros de altura, 310 toneladas e 110 mega-volt-amperes reativos de capacidade (MVAr). “Esses são os dois primeiros compensadores síncronos rotativos de grande porte já produzidos no Brasil. Eles foram fabricados em menos de 10 meses, tempo recorde para a construção de uma máquina desse tamanho”, destacou o diretor superintendente da WEG Energia, Sinésio Tenfen.

    Para o diretor de Engenharia e Operação da Eletrosul, Ronaldo dos Santos Custódio, com a expansão da energia eólica, além de aprofundar o conhecimento sobre as tecnologias de geração, o Brasil está adequando seu sistema de transmissão para o melhor aproveitamento desse potencial. “Os maiores potenciais de geração – como o eólico e hidrelétrico – normalmente estão distantes dos centros de carga, em regiões isoladas e em pontos eletricamente ‘fracos’ do sistema. Por isso a necessidade de um sistema de escoamento robusto, que garanta a qualidade da energia elétrica”, acrescentou.

    Uma nova subestação (Livramento 3), prevista no atual Plano de Expansão da Transmissão da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), para conexão de futuros parques eólicos na região de Sant’Ana do Livramento (RS), também adotará a tecnologia de controle de tensão por meio de compensadores. Nessa região, a Eletrosul tem empreendimentos em operação e em implantação, que somam 216 MW de capacidade instalada, e outros possíveis aproveitamentos já prospectados.

    Os compensadores síncronos rotativos são usados em grandes sistemas elétricos de geração e transmissão de energia. No caso dos empreendimentos do extremo Sul gaúcho, os equipamentos são indispensáveis para manter os níveis de tensão do sistema sob controle e, ainda, elevar a potência de curto-circuito para permitir a geração eólica. “A tecnologia atualmente empregada nos aerogeradores dispõe de equipamentos eletrônicos que requerem certo nível de robustez no ponto em que irão se conectar para garantir seu adequado funcionamento. E essa robustez é medida pela potência de curto-circuito do ponto de conexão”, esclarecem os técnicos da Divisão de Proteção e Estudos do Sistema da Eletrosul.




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