Rio Grande: fábrica de pellets da Tanac inicia operações em fevereiro de 2016

    A Tanac, de Montenegro, formalizou investimento de R$ 150 milhões de recursos próprios em uma fábrica de pellets de madeira, no distrito industrial de Rio Grande. O protocolo de intenções, que garante isenções fiscais na compra de equipamentos, foi assinado ontem, na Secretaria de Desenvolvimento e Promoção de Investimento (SDPI), pelo diretor-superintendente da empresa, Otávio Guimarães Decusati, e pelo titular da pasta, Mauro Knijnik. As informações foram publicadas no Jornal do Comércio, em matéria assinada pelo repórter Mateus Frizzo.

    Decusati afirma que 90% do investimento será em contratos com empresas gaúchas e 10% na importação de equipamentos alemães de pré-moagem, moagem, resfriação e peletização. Segundo ele, toda a produção, estimada em 350 mil toneladas/ano, será destinada a um único cliente do “Mercado Comum Europeu”, não revelado durante a reunião. O diretor destacou a responsabilidade social da empresa e a importância do investimento para o Estado. “Colocaremos o Rio Grande do Sul na rota de fornecimento de biomassa”, disse.

    O secretário Mauro Knijnik ressaltou o impacto do projeto para o desenvolvimento da Metade Sul do Estado. “É mais uma oportunidade de emprego para aquela região, para ajudar a apagar esse carimbo da falta de investimento”. A nova planta da empresa criará 40 empregos diretos, além de quase 300 vagas indiretas em toda a cadeia produtiva. Quase 500 funcionários temporários trabalharão na construção da unidade, em uma área de 9 mil m2 contígua aos atuais 12 mil m2 da fábrica, uma das maiores exportadoras de cavaco do País. As obras se iniciam na próxima semana com a terraplanagem do terreno. A previsão é de que as operações se iniciem em fevereiro de 2016. Decusati aponta que esse será o primeiro empreendimento do Rio Grande do Sul no segmento e o maior da América Latina. “Será um sistema contínuo e integrado, trabalhando 24 horas por dia, 365 dias por ano”, afirma.

    Com expansão de negócios, pellet almeja status de nova commodity

    A expansão gradual prevista para a nova unidade de pellets da Tanac pretende chegar à produção anual de 50 milhões de toneladas/ano até 2020, considerando o programa de substituição de combustíveis fósseis, como carvão mineral, por biomassa, na União Europeia. De acordo com o gerente de operações da SDPI, Leosergio Angheben, tudo indica que o pellet será a nova commodity, algo antecipado pela expansão dos mercados norte-americanos de exportação e consumo interno do material, principalmente como substituto do gás propano e do óleo como combustíveis de aquecimento doméstico. “Existe espaço para o Brasil, e em especial para o Rio Grande do Sul, entrar nesse cenário”, indica Leosergio.

    Ao menos outros dois projetos de produção de pellets para exportação estão em fase de regulamentação no Estado. Conforme antecipado pelo Jornal do Comércio, um fundo internacional de investimentos de US$ 220 milhões já concedeu aval à administradora, a mineira Finagro, para a construção de uma fábrica do biocombustível no município de Pinheiro Machado. A estimativa é que a unidade produza 600 mil toneladas/ano, além de 50 mil watts de energia e, numa terceira etapa, pretende ainda implementar a produção de etanol celulósico.

    O início das obras, segundo o presidente da empresa, Afonso Bertucci, depende de licenciamento ambiental e da concessão de um terminal no porto de Rio Grande. Os estudos técnicos já estão em andamento e a previsão é que sejam encaminhados à Fepam em maio de 2015. Caso confirmada a viabilidade, as obras se iniciariam no segundo semestre do ano que vem. O gerente de operações da SDPI demonstra otimismo quanto à liberação, mas é cauteloso ao discorrer sobre a representatividade do empreendimento no incipiente setor. “Estamos de olho, porque é um projeto muito interessante”, afirma. “Quando a Fepam der uma resposta, pretendemos atuar como facilitadores, como na liberação do terminal em Rio Grande. Mas enquanto não tivermos nada sólido, não temos como antecipar nada”.

    Fonte: Mateus Frizzo – Jornal do Comércio




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