CONSÓRCIO LIDERADO PELA ODEBRECH: ESQUEMA TAMBÉM ENVOLVERIA O ESTALEIRO RIO GRANDE

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    Da Zero Hora

    Consórcio liderado pela Odebrecht é suspeito de fazer repasse de propina para obter contratos

    Construtora também teria corrompido procedimentos para a fabricação de sondas de exploração do pré-sal

    Alvo da 14ª etapa da Operação Lava-Jato, a Odebrecht, investigada em esquema de cartel e pagamento de propina em obras da Petrobras, também teria corrompido procedimentos para a fabricação de sondas de exploração do pré-sal. A construtora teria procedido dessa forma em contratos de seis sondas encomendadas ao Estaleiro Enseada do Paraguaçu, em Maragojipe, na Bahia, que pertence a um consórcio formado por Odebrecht, OAS, UTC e Kawasaki. O esquema também envolveria o Estaleiro Rio Grande em pagamentos de propina.

    As informações constam no despacho do juiz federal Sergio Moro, que deferiu, na sexta-feira, as prisões de altos executivos das empreiteiras Odebrecht e Andrade Gutierrez. Foi Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras, quem relatou os fatos em delação premiada. “Pedro Barusco, além de declarar que a Odebrecht pagou propina nos contratos para a construção de seis sondas para a Petrobras explorar o pré-sal por intermédio da Sete Brasil, revelou que recebeu pagamentos em contas na Suíça por parte da empreiteira”, escreveu o magistrado.

    A Sete Brasil foi criada para encomendar a fabricação das sondas. Depois, alugaria os equipamentos à Petrobras, que é cliente e sócia da Sete Brasil, detendo parte do seu capital.

    No total, a Sete Brasil negociou a entrega de 21 sondas, sendo três delas sob responsabilidade do Estaleiro Rio Grande, controlado pela Engevix. Conforme disse Barusco aos investigadores, parte dos contratos envolveria o pagamento de propinas a João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT.

    A Odebrecht e o Estaleiro Rio Grande constam na lista de contratos que teriam gerado pagamentos ao petista, que está preso em Curitiba. O operador das transferências no caso do polo de Rio Grande seria Milton Pascovich, que ganhou notoriedade na Operação Lava-Jato por ter feito pagamentos à JD Consultoria, de propriedade do ex-ministro José Dirceu. No caso de Rio Grande, embora haja contrato, a montagem das sondas ainda não teve início.

    E-mail interceptado sugere sobrepreço

    A investigação também encontrou um e-mail enviado por um executivo da Braskem a dirigentes de construtoras como Marcelo Odebrecht, presidente da Odebrecht preso na última sexta-feira. Na mensagem, Roberto Prisco Ramos, da Braskem, faz referência à colocação de sobrepreço de US$ 20 mil a US$ 25 mil por dia no contrato de operação de sondas. O executivo ainda fala em envolver as empreiteiras UTC e OAS no negócio “para que elas não venham a se tornar futuros concorrentes na área de afretamento e operação de sondas”. “Embora o fato necessite ser investigado mais profundamente, essa mensagem corrobora as declarações dos criminosos colaboradores quanto à prática de crimes na relação entre a Odebrecht e a Petrobras”, escreveu o juiz Moro.

     Foto: Ricardo Duarte / Agencia RBS




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