QGI E PETROBRAS CONFIRMAM ACORDO QUANTO A PLATAFORMAS

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    Jornal do Comércio – Jefferson Klein

    Depois de longas negociações, QGI (Queiroz Galvão e Iesa Óleo e Gás) e Petrobras oficializaram o contrato para montar e integrar os módulos das plataformas de petróleo P-75 e P-77 no município de Rio Grande. O prefeito da cidade, Alexandre Lindenmeyer, que já havia adiantado que as companhias estavam prestes a chegar a um consenso, informou que as empresas fecharam o acordo na noite de quarta-feira.
    As companhias tinham um acerto anterior estabelecido, mas as dificuldades surgiram quando a estatal não aceitou a realização de aditivo no contrato inicial, sugerido pela QGI, o que limitou tecnicamente os projetos ao orçamento previsto na licitação. No começo, a perspectiva de custo global das duas plataformas, levando em consideração não apenas os serviços da QGI, era de aproximadamente US$ 1,6 bilhão. Em fevereiro, o estaleiro da companhia em Rio Grande chegou a paralisar as operações. Em julho, depois de várias manifestações de trabalhadores e movimentações políticas, QGI e Petrobras anunciaram a retomada da montagem das plataformas. Entretanto, até essa quarta-feira, o novo contrato para materializar o serviço não havia sido formalizado.
    Conforme uma fonte que acompanha o assunto, a contratação de pessoal e o início de ações nas plataformas devem ocorrer no primeiro trimestre do próximo ano. A expectativa é de que se crie aproximadamente 2 mil empregos no Estado com a nova demanda e que alguns serviços das plataformas sejam feitos por companhias asiáticas, provavelmente na China. Ainda segundo a fonte, a Petrobras aceitou elevar os valores do contrato, mas não atingiu o pedido do aditivo original proposto pela QGI (que seria de US$ 160 milhões).
    Em 2013, quando o estaleiro chegou a operar com três plataformas ao mesmo tempo, o número de trabalhadores ultrapassou o patamar de 10 mil. Atualmente, somando-se as unidades que a QGI tem em Rio Grande e no Rio de Janeiro, a empresa não chega a 120 funcionários.
    O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Rio Grande e São José do Norte, Benito Gonçalves, recebeu com alegria a notícia da definição entre QGI e Petrobras, contudo diz que a felicidade poderia ser maior. “Praticamente, faremos apenas metade das plataformas (antecipando a possibilidade de que alguns serviços sejam realizados fora do Brasil)”, afirma o dirigente. Apesar dessa lamentação, Gonçalves conforma-se que a geração de novos postos de trabalho, em meio à crise que o setor naval do País vive, é algo a ser comemorado.
    Gonçalves calcula que, agregados aos 2 mil empregos diretos que serão propiciados, mais cerca de 4 mil postos de trabalho serão abertos indiretamente. O sindicalista estima que as obras nas plataformas P-75 e P-77 levarão em torno de dois anos para serem concluídas. “O próximo desafio será que novos projetos venham para cá e que o polo naval não acabe”, frisa o dirigente.



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