PETROBRAS BUSCA FONTES PARA PRODUZIR GÁS NATURAL

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    Interesse é excelente para a cadeia da indústria do petróleo, diz Corrêa. Foto: MARCO QUINTANA/JC

    O litoral brasileiro possui áreas com acumulações de hidratos de gás que podem ser, no futuro, novas fontes para produção de gás natural no Brasil. De olho no potencial dos depósitos não convencionais, a Petrobras trabalha em cooperação tecnológica com a Jogmec (Companhia Japonesa de Óleo, Gás e Metais), pioneira em testes de produção offshore (no mar) de gás natural de hidratos de metano.
    O intercâmbio tecnológico entre as empresas foi formalizado em novembro. O acordo visa à exploração e produção de óleo e gás de depósitos não convencionais, incluindo óleos pesados, shale gas (conhecido como gás de xisto) e, principalmente, hidratos de gás. O Japão foi a primeira nação a extrair do fundo do mar um gás a partir de hidrato de metano, que consiste em uma molécula de gás aprisionada em uma estrutura de água cristalizada, devido às condições submarinas de pressão e temperatura. Porém, ainda não há, no mundo, tecnologias para explorar e produzir comercialmente esses reservatórios, pela dificuldade técnica de garantia de escoamento e estabilidade na produção do gás natural.
    Conforme comunicado divulgado pela estatal brasileira, a empresa acredita que a transferência de conhecimento será um fator decisivo para desenvolver tecnologia a ser aplicada nas bacias de Pelotas (na costa do Rio Grande do Sul) e Foz do Amazonas, áreas que já foram identificadas com hidratos. A Jogmec desenvolve tecnologia para extrair o gás natural (metano) de forma estável. A produção do metano poderia ser consumida nos mercados locais ou transportada para longas distâncias, na forma de gás natural liquefeito (GNL).
    O presidente da Associação RS Óleo e Gás, Luiz Carlos Vivian Corrêa, enfatiza que a notícia do interesse das duas companhias é excelente para a cadeia da indústria do petróleo, em um momento que o segmento enfrenta várias dificuldades (Operação Lava Jato e preços baixos). Mesmo que leve alguns anos para que o desenvolvimento da tecnologia alcance algum resultado prático, o empresário se entusiasma com a iniciativa. Corrêa recorda que até hoje somente foram levantados rumores quanto à presença de óleo e gás na bacia de Pelotas.
    O dirigente lembra que foi uma grande decepção quando não houve lances pela bacia no leilão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) realizado em outubro do ano passado. Foram ofertados 51 blocos da área que totalizavam cerca de 18,6 mil quilômetros quadrados.



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