AGRONEGÓCIO: EXCESSO DE CHUVAS CASTIGA LAVOURAS DA REGIÃO SUL

    Imagem de arquivo mostra lavoura de arroz na Zona Sul; chuvas em excesso comprometem a safra na região (Foto: Paulo Rossi - DP)

    Imagem de arquivo mostra lavoura de arroz na Zona Sul; chuvas em excesso comprometem a safra na região (Foto: Paulo Rossi – DP)

    Do Diário Popular

    Parte da safra na região está mofada ou germinada, dizem produtores

    Levantamentos preliminares indicam que as perdas nas safras de soja e arroz podem ultrapassar os 20%

    O momento é de preocupação, de avaliação de danos e prejuízos e, principalmente, de união. Os 22 municípios da Zona Sul vêm sendo castigados por uma chuva ininterrupta desde o meio de março, que já é responsável por paralisar a colheita de soja e arroz em diversas localidades. Levantamentos preliminares indicam que as perdas nas safras podem ultrapassar os 20%.

    Entre as cidades mais atingidas, Arroio Grande deve decretar situação de emergência ainda hoje.Herval e Pedro Osório irão avaliar o relatório que está sendo produzido pela Emater sobre as perdas reais para optarem pelo decreto ou não. Com a previsão de mais chuva para os próximos dias, a situação deverá se tornar ainda mais grave aos produtores da região.

    Com uma área total de 319.309 hectares de soja semeados na Região Sul, a expectativa era produzir 837 mil toneladas do grão. Hoje, uma parte significativa da safra já está mofada ou germinada. O clima instável levou à paralisação da colheita em um momento em que os municípios estavam na fase inicial. Arroio Grande, por exemplo, colheu 15% da área semeada. Já Santana da Boa Vista e Canguçu 10%,Pelotas 5% e Jaguarão 8%. Quanto ao arroz, esperava-se 1,5 tonelada do grão, com base nos 196.305 hectares semeados. Até a última semana, a colheita já havia atingido 32,6% do total em meio a relatos de perdas por acamamento em função de fortes ventos e chuva e também por debulha.

    Para o produtor de soja e arroz de Arroio Grande, Ladislau Silveira, é difícil mensurar o impacto das chuvas ainda neste momento, mas sem dúvida a apreensão é enorme. O agricultor afirma, com alívio, que conseguiu salvar grande parte da safra de arroz, 85%, mas deverá perder 30% da lavoura de soja. Nesta situação, Ladislau torce pelo decreto de situação de emergência, para que possa tentar cobrir parte do prejuízo financeiro.

    De acordo com o prefeito Luis Henrique Pereira da Silva (PP), há consenso entre as entidades da cidade que se reuniram na última terça-feira pelo decreto, principalmente devido às consequências econômicas que aparecerão em breve. “São 25 dias contínuos de chuva que estão nos impedindo de chegar nas lavouras e destruindo as estradas rurais. É uma catástrofe para um município predominantemente agrícola.”

    Cenários iguais
    Em Herval a situação é semelhante. De acordo com o prefeito Ildo Sallaberry (PP), a chuva durante toda esta primeira quinzena de abril fragilizou a produção do município, que é predominantemente de soja. “O prejuízo, até o momento, já é violento e o pior: a cada dia que passa fica maior.” A cidade, ao lado de Pedro Osório, considera a possibilidade de decretar situação de emergência nos próximos dias.

    Em Pedro Osório o prefeito César de Brito (PT) tem trabalhado com a estimativa de perda da agricultura de 10%, mas acredita que o levantamento da Emater possa revelar porcentagens ainda maiores. O município precisaria, na sua opinião, de pelo menos dois dias consecutivos sem chuva para que se tome alguma providência, mas isto não aconteceu nas últimas semanas.

    Na avaliação do presidente do Sindicato Rural de Jaguarão, outra localidade também atingida, João Alberto Silveira, o maior problema não está relacionado apenas à quantidade de chuva que caiu até o momento, mas na previsão que indica a sua permanência pelo menos até o final do mês. Na sua propriedade conseguiu colher 50% da área, mas relata situações onde esta não passou dos 10%. Com relação à soja, Silveira acredita que há 95% da safra no aguardo da colheita. “Tínhamos uma expectativa excelente para este ano, que foi destruída por um clima surpreendente para esta época do ano.” O prefeito de Jaguarão, José Cláudio Ferreira Martins (PT) salientou que ainda se está sob os impactos da chuva e não há um parecer técnico oficial quanto a danos. Martins descarta também a possibilidade de um decreto de emergência como os municípios vizinhos.

    Já em Pelotas, a Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) ainda não tem um parecer a respeito dos danos ocasionados pelo clima. O secretário Wilson Karnopp adianta que serão registradas perdas, mas não se tem acesso a dados preliminares até o momento. Alguns distritos como o 3º, o 7º, a Cascata e a Santa Silvana estavam com pontos críticos nas suas estradas rurais, inclusive com locais sem circulação. Segundo Karnopp, o transtorno já foi resolvido e o trânsito está novamente estabelecido.




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