PETROBRAS E ECOVIX DISCUTEM CONTRATOS ANTIGOS E FUTURO

    JORNAL AGORA – RG

    POR ALINE RODRIGUES

    Rumores de uma possível quebra de contrato por parte da Estatal e o anúncio de uma suposta recuperação judicial pela empresa preocupa trabalhadores do ERG1

    Nos últimos dias, rumores de que a Petrobras estaria prestes a quebrar contratos já acertados com a Ecovix – empresa pertencente ao grupo Engevix – vêm preocupando os trabalhadores do Estaleiro Rio Grande. Conforme uma fonte, os rumores dentro da própria empresa são fortes com relação a um possível encerramento das atividades da empresa no Município. Além disso, segundo essa fonte, existe a informação de que nos próximos dias mais demissões devem ocorrer.

    Há também rumores de que a empresa estaria organizando férias coletivas para os funcionários, e, no retorno, mais desligamentos ocorreriam. Supostamente, essas férias coletivas ocorreriam após a saída do casco da P-68, que ainda está no Estaleiro Rio Grande. De acordo com uma outra fonte, a previsão é que a P-68 saia em direção a Aracruz, no Espírito Santo, nos próximos dias, assim que abrir uma janela. Uma reunião realizada na quarta (7) tratou sobre a saída do casco.

    NEGOCIAÇÃO

    Segundo Sadi Machado, vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio Grande e São José do Norte (Stimmmerg), na última terça (6), o sindicato participou de uma reunião com representantes da empresa Ecovix. Na ocasião, a empresa manifestou-se sobre o atual momento. “Saímos de lá mais esperançosos com o futuro do setor naval. A empresa não descarta a possibilidade de uma futura recuperação judicial. A empresa diz que está negociando com a Petrobras contratos antigos e futuros e isso é o que vai determinar se ela entra com a recuperação judicial ou não”, destaca. A recuperação judicial é uma medida para evitar uma possível falência da empresa, e é solicitada quando não consegue mais arcar com as despesas que possui.

    Segundo dados apurados pela reportagem, as dívidas giram em torno de R$ 6 bilhões. Machado acredita que todas as empresas do setor naval estão em negociação com a Estatal, pois o momento é delicado. Ele conta que a Ecovix não afirma se as tratativas com a Petrobras são boas ou ruins, mas confirma estar negociando. Procurada pela reportagem do Agora, a Petrobras disse que não vai se manifestar sobre as negociações.

    Já a Ecovix, em nota, afirmou: “os Estaleiros de Rio Grande não confirmam as notícias divulgadas. A empresa vem negociando com os representantes dos trabalhadores para vencer da maneira mais adequada as dificuldades que o setor vem enfrentando. Contudo, esclarecemos que a empresa está preparada para cumprir com todas suas obrigações com seus colaboradores”.

    FALTA DE INVESTIMENTO NO RS

    O vice-presidente do Stimmmerg lembra que recentemente foi aprovado pelo Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante (CDFMM) um aporte de mais de R$ 9 bilhões para o setor naval. Porém, questiona o fato do Rio Grande do Sul não ser contemplado com nada desse valor. Uma boa parte desse valor, pouco mais de R$ 7,7 bilhões, será para novos projetos. O restante para suplementações de recursos de projetos em andamento e reapresentações daqueles não contratados no prazo de validade.

    “São R$ 9 bilhões para o setor, e o Rio Grande do Sul não está contemplado com nenhum centavo. Temos três estaleiros, e agora pergunto, será que nós estamos errados? Não se escuta falar nada por parte das nossas lideranças políticas. Acho que essas lideranças deviam deixar as diferenças de lado. Tudo que estamos vivendo é somente por uma questão política. É uma vaidade política que quem paga a conta é o trabalhador”, desabafa.

    QGI BRASIL

    Já a QGI Brasil, conforme informações de uma fonte, está desde outubro fazendo contratações, e duas empresas terceirizadas já estão trabalhando dentro do estaleiro junto ao Porto Novo. Segundo dados, o consórcio QGI deve contratar nas próximas semanas 150 trabalhadores e deve fechar o ano com mais de 750 funcionários. A previsão para a chegada dos cascos da P-75 e P-77 é em 2017, e de acordo com informações, os trabalhos seguem e não há qualquer hipótese sobre uma possível quebra de contrato entre Petrobras e o consórcio QGI Brasil.




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