ESPECIAL DE DOMINGO: MINAS DO CAMAQUÃ E A VOLTA DA MINERAÇÃO E DESENVOLVIMENTO PARA UMA REGIÃO ESQUECIDA

    Mais de duas décadas após o fim da mineração, o clima entre os remanescentes de Minas do Camaquã é de otimismo. Os moradores mais velhos contam os dias para o retorno do movimento proporcionado por mineiros, empresários, novos moradores e de turistas.  Distante 300 quilômetros de Porto Alegre, sem acesso por asfalto e escondida por coxilhas e formações rochosas, encontra-se uma vila que, apesar da distância, já esteve no centro dos acontecimentos no Rio Grande do Sul e está prestes a retomar dias de glória. Construída pelo industrial ítalo-brasileiro Francisco Pignatari (1917-1977), Minas do Camaquã gerou fortunas, atraiu mais de 5 mil moradores, recebeu a visita de governadores e de presidente da República. Hoje, os cerca de 600 habitantes remanescentes andam por ruas quase vazias e entre prédios abandonados enquanto sonham com a volta dos tempos de glória. O distrito do município de Caçapava do Sul é uma dádiva do minério de cobre oculto em seu subsolo. Graças à exploração do metal, descoberto no século 19, Minas do Camaquã floresceu em meio ao pampa gaúcho.

    Agora a Votorantim Metais, empresa de mineração e metalurgia do Grupo Votorantim, está retomando o processo da extração de zinco e chumbo nas Minas do Camaquã. O Projeto Santa Maria prevê lavra de minério polimetálico na região. A empresa diz que após a conclusão de todos os trâmites e da aprovação dos projetos é que será possível definir a data de início da exploração de minérios nas Minas do Camaquã e quantos empregos devem ser gerados. A exploração de minérios em Minas do Camaquã teve grande importância, mas acabou em 1996.

    Ainda no mês de junho de 2016, o diretor-presidente da Votorantim Metais, Tito Martins, apresentou ao governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori, o Projeto Caçapava do Sul, empreendimento. O Estudo de Impacto Ambiental (EIA-Rima) foi protocolado em janeiro na Fepam, órgão regulador e fiscalizador das questões ambientais do Rio Grande do Sul.  A consulta pública foi realizada por meio de duas audiências em julho.  A Votorantim Metais tem como estratégia de longo prazo crescer em mineração nas Américas. Dessa forma, investir em projetos, no Brasil e no Peru, de extensão da vida útil de suas operações, como os Projetos Extremo Norte, Rebaixamento da Mina de Vazante e Ambrósia, todos localizados em Minas Gerais; e na expansão da mina de Cerro Lindo, nos andes peruanos. Outra frente de crescimento é a pesquisa mineral, que pode dar origem a novas minas. Este é o caso do Projeto Caçapava do Sul apresentado naquela ocasião ao governo e toda sociedade rio-grandense. O projeto é cercado e ancorado nos mais rigorosos preceitos ambientais, uma marca da Votorantim.

    Onde fica

    Enquanto novas minas não são escavadas, o turismo de aventura é a nova preciosidade da região coberta por rochas, matas e com um lago artificial azul-turquesa formado na área de uma antiga mina a céu aberto. A operadora de turismo da região, a Minas Outdoors Sports, recebeu 2,2 mil visitantes no ano passado.  Graças a isso, pela primeira vez em duas décadas um número crescente de jovens está deixando de migrar para outras cidades a fim de permanecer em Minas do Camaquã, já pensando também na chegada do novo ciclo. Mas a vila ainda sofre com o abandono. Na área central, onde o antigo cinema de madeira apodrece, há lixo acumulado. A assessoria de imprensa da prefeitura de Caçapava do Sul informa que a coleta é feita semanalmente, que há um projeto para recuperar o ginásio, mas admite que não há nem perspectiva de resgatar o velho Cine Rodeio— testemunha de um tempo de rara pujança de uma vila que já esteve no centro dos acontecimentos no Rio Grande do Sul.

    O desejo de apagar o apelido de “cidade-fantasma” ganhou força graças ao retorno das pesquisas destinadas a explorar novas riquezas subterrâneas através deste novo projeto. A Votorantim Metais está anunciando investimentos na ordem de mais de R$ 300 milhões para a extração do zinco e do chumbo e com isso retomar uma vocação que teve início com o auxílio de ninguém menos do que o imperador D. Pedro II. O Rio Grande aguarda com ansiedade mais este investimento que gerará riqueza ao estado, melhoria na qualidade de vida de uma parcela da população que está  esquecida e divisas para o estado.




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