MULTISOM VAI FECHAR 30 LOJAS NO RS ATÉ MAIO

    Operação é tradicional no setor de eletrônicos e instrumentos musicais. Foto: JOÃO MATTOS/ARQUIVO/JC – Jornal do Comércio

    Roberta Mello A rede de lojas Multisom anunciou ontem o fechamento de 10 unidades desde o início de 2017 e um cronograma que prevê o encerramento das atividades de outros 20 estabelecimentos nos próximos três meses. O presidente da empresa, Francisco Noveletto, atribui a dificuldade em manter a operação das mais de 130 lojas à grave crise financeira vivida desde 2016 pelo grupo e ao alto preço do aluguel cobrado pelos shopping centers. “Os shoppings insistem em cobrar o 13º aluguel. Isso é do tempo em que o lojista vendia o dobro ou o triplo no mês de dezembro”, diz Noveletto. A empresa afirma que vem negociando com os estabelecimentos antes de encerrar atividades, porém, muitos se mostram irredutíveis. Segundo o presidente da Multisom, os shoppings deveriam se adequar à realidade do País.

    A loja de instrumentos musicais e artigos eletrônicos contava com 80 unidades em centros comerciais do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná até o início deste ano. Já em maio, esse número deve cair para 64 – 80% das próximas lojas fechadas serão aquelas localizadas em shoppings. O segmento de eletrônicos, diz o empresário, apresentou o terceiro pior desempenho no ano passado. As quedas nas vendas do setor só ficaram atrás do comércio de imóveis e de automóveis. “Além de ter diminuído o poder aquisitivo do brasileiro, enfrentamos a concorrência com as grandes lojas de e-commerce”, explica o presidente da Multisom. A marca criou um canal de vendas on-line, mas o negócio não deslanchou, revela. Noveletto negou que haverá mais demissões. “Ao todo, 700 funcionários foram dispensados. Os colaboradores das próximas lojas fechadas serão realocados nas filiais, pois já estamos trabalhando com o mínimo de pessoal”, declara. A Multisom é mais uma das varejistas que tem de passar pelo fechamento de unidades. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), apenas em 2016 foram fechados 7.300 estabelecimentos no Rio Grande do Sul. O varejo gaúcho reflete um fenômeno de escala nacional.




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