REVITALIZAÇÃO DA ORLA PORTUÁRIA RECUPERA AS FACHADAS DO ARMAZÉM SÃO FRANCISCO

    Quem transita pela região do Porto percebe novos ares transformando o cenário local. O processo de revitalização da orla portuária prossegue com a recuperação das fachadas do antigo Armazém São Francisco e prédio Administrativo, no Terminal de Toras do Porto de Pelotas. A iniciativa contempla a construção de passeios, recuperação das antigas fachadas dos prédios e o Arte no Muro – espaço de arte urbana, assinado por seis artistas da terra. O projeto integra as ações de infraestrutura da Sagres e Celulose Riograndense, coordenado pela arquiteta Fernanda Pereira, e executada pela empresa Almeida Brasil.

    De acordo com a arquiteta, a obra prevê a análise do estado de conservação das fachadas, onde a caracterização dos materiais são as diretrizes para as intervenções. “Tínhamos como desafio revitalizar a ambiência urbana e queríamos preservar a riqueza arquitetônica – memória viva da região do Porto -, ao mesmo tempo em que recuperamos elementos que contam esta história”, observa.

    A arquiteta, Cristina Rosisky, especialista em restauração, foi contratada para fazer uma análise das fachadas, técnicas e materiais empregados ao longo dos anos. A metodologia utilizada para avaliação priorizou a identificação do estado de conservação dos materiais, em duas etapas. A primeira, através da observação e caracterização dos materiais, e posteriormente uma análise química do que foi coletado. “Os frontões, que caracterizam a estrutura, também foram analisados e mostraram fissuras por conta de infiltrações ao longo dos anos”, avalia. Segundo a restauradora, a conservação da parte interna está mais afetada em relação à face externa da fachada, pois recebeu, ao longo do tempo, diversas intervenções realizadas sem conhecimento técnico sobre a compatibilidade de materiais.

    A descoberta das cores originais da fachada também foi parte da análise de Cristina, que encontrou resquícios de cinza, avermelhado e amarelo. “Optamos pelo cinza, como coadjuvante das cores vibrantes das obras de artes do muro acústico”, informa Fernanda Pereira. As etapas atuais do projeto incluem a avaliação da descoberta dos materiais utilizados na fachada original, com rebocos mistos, de cal e de cimento. “Primeiramente realizamos uma limpeza mecânica a seco, uma raspagem com escova de aço e espátula, para retirada dos rebocos e das vegetações”, explica Cristina. O segundo passo prevê a limpeza química, o preenchimento de fissuras e os testes de concentração de pigmento para definição de tonalidade para pintura a base de cal obedecendo a técnica correta de aplicação, em sentido cruzado. A previsão é de que até começo de março o restauro das fachadas esteja finalizado.

    Fernanda destaca que a manutenção do alambrado no final da rua Conde Porto Alegre e a abertura de vãos, onde serão colocados vidros acústicos, oferecem o contato visual entre o interior do Terminal de Toras e o espaço público.

    ARTE NO MURO – O muro acústico do Terminal de Toras, na esquina entre as ruas Conde de Porto Alegre e João Pessoa possui 288 metros de extensão, sendo 162 metros pela rua Conde de Porto alegre, onde inicialmente estão as pinturas. Além da função acústica, que tem o objetivo de evitar que eventuais ruídos produzidos pela operação de embarque da madeira causem transtornos aos lindeiros, o projeto transformou o muro em um espaço de arte. “Para resolvermos de forma positiva, o muro entra como elemento de destaque junto aos passeios neste processo de revitalização da região”, observa a arquiteta.

    Para transformar a intervenção em um atrativo para comunidade, as empresas convidaram seis artistas para desenvolverem obras que tivessem como tema de inspiração as águas. “Bero Moraes, Gordo 17, Madu Lopes, Nina Moraes, Ges e Choer foram os talentosos parceiros desta iniciativa”, explica o publicitário Franco Xavier, responsável por coordenar a execução das pinturas. “Algumas obras precisaram ser ampliadas com projetor, durante a noite, para que os artistas tivessem uma escala nas dimensões do muro”, explica Franco. Foram utilizados cinco vãos de 60 metros quadrados e mais cinco de 36 metros quadrados, transformando o local em um verdadeiro espaço de contemplação artística. Quem passar pelo local vai visitar as cores de Olokum protegida por divertidos marinheiros, caravelas e tesouros grafitados, Poseidon com sua energia e a força dos seres marítimos, no gênero masculino e feminino.




    Comentários