SEIS MESES DEPOIS DA CELULOSE, PORTO SAI DO VERMELHO

     

    Madeiras empilhadas na entrada do terminal da Celulose Rio-grandense, no porto de Pelotas (Foto: Jô Folha – DP)

    Do Diário Popular – Por: Vinícius Peraça

    Ações no entorno também mudaram a cara da região e produziram melhorias na vida dos moradores

    O cenário na região portuária já não é mais aquele que se via até 2015. Tanto no próprio porto em si quanto nas áreas ao redor. Após a assinatura do contrato entre o governo do Estado e a CMPC Celulose Riograndense para a operação do transporte de madeira à fábrica de Guaíba (Região Metropolitana, a 234 quilômetros de Pelotas) a partir do terminal da Zona Sul, o que se percebe é uma região em transformação. E um Porto que comemora os bons resultados para a economia.

    Se antes a movimentação se restringia a algumas cargas, especialmente arroz, que mantinham a receita portuária em meros R$ 220 mil por ano, em 2016 esse faturamento foi quatro vezes maior: R$ 886 mil. Fruto da grande movimentação provocada pela CMPC, afirma o administrador do Porto. “Tínhamos uma estrutura defasada, que nem licença ambiental possuía para a instalação de empreendimentos. Hoje qualificamos nossas áreas administrativa e operacional, o que resultou nesse crescimento e nos permite sair do vermelho este ano”, analisa Cláudio Oliveira. Com um custo operacional de R$ 1,2 milhão, a expectativa é de que finalmente em 2017 o Porto deixe de ser deficitário, faturando R$ 1,5 milhão.

    Mas não é só o Porto que respira aliviado. Para muitos, o primeiro semestre de atividades da Celulose representa a oportunidade tão aguardada. Formado em Eletromecânica e há mais de dez anos passando mais tempo longe da família do que em casa devido ao trabalho na Região Metropolitana, Éverson Feldman, 42, celebra o emprego e a proximidade da esposa e dos filhos. “Passei muito tempo tendo que pegar a estrada e recentemente fiquei um ano desempregado. Agora atuo na minha área e perto de todos.”

    Entre funcionários da Sagres, responsável pela logística portuária e de navegação, e da BBM, que transporta a madeira em caminhões, já foram gerados pelo menos 360 empregos diretos e indiretos. “O maior desafio veio da premissa de valorização e contratação de mão de obra exclusivamente local, do bairro, para uma operação inédita no município. Todos tiveram que ser muito bem treinados para se obter os níveis de segurança e operacionais desejados”, destaca Bruno Carvalho, gerente de contratos do Terminal de Toras da Sagres.

    Pelo menos outros 400 postos de trabalho também foram criados nos 14 municípios da Zona Sul e Campanha que produzem a madeira.

    Fim dos alagamentos e melhores áreas de lazer
    Nem só de desenvolvimento econômico foram feitas as mudanças com a retomada do Porto. Também houve mudanças na infraestrutura para a comunidade local. Foram aplicados R$ 2,5 milhões na região em obras como o asfaltamento da rua Conde de Porto Alegre, melhorias na iluminação e revitalização de áreas de lazer como a quadra de areia, onde as crianças se divertem e fazem aulas de futebol.

    Porém, a principal mudança notada pelos moradores foi na drenagem. Morando há 30 anos no entorno do Quadrado, Gilda Martins, 60, lembra que ela e os vizinhos já estavam acostumados a ver a água invadindo as casas. “Eu cheguei a perder meu chalé e ficar acampada em um galpão por 20 dias. Perdi tudo. Qualquer chuva era um desespero”, conta a líder comunitária. Com duas etapas concluídas (tubulação e colocação de caixas de coleta), falta apenas a instalação de bombas para que o projeto de drenagem fique completo. Segundo a Sagres, no máximo até o final do ano tudo estará pronto. Para a alegria e alívio de dona Gilda. “Não quero nunca mais ver alguém passar pelo que já passamos”, diz.




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