RIO GRANDE: LICENÇA PARA TÉRMICA SOMENTE DEPOIS DE AGOSTO

     

    Termelétrica será abastecida com gás proveniente de navios de GNL, demandando a instalação de terminal AG/AG/DIVULGAÇÃO/JC

    Jefferson Klein – Jornal do Comércio

    Apesar da pressa que tem em conquistar a licença de instalação para o complexo termelétrico e de gás natural que pretende erguer em Rio Grande, a Bolognesi não conseguirá obter a liberação antes de 31 de agosto. O grupo pretendia encaminhar esse documento para a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) até essa data, no entanto, conforme informações da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), não haverá tempo hábil para isso. A assessoria de imprensa do órgão fiscalizador detalha que na sexta-feira a companhia entregou o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) quanto à unidade de regaseificação do empreendimento. A Fepam levará uma semana para conferir os papéis e depois iniciará a análise dos documentos. Posteriormente, serão marcadas as audiências públicas para discutir a iniciativa.

    Devido a esse rito, a entidade adianta que a emissão da licença de instalação não ocorrerá antes de setembro. A Aneel chegou a avaliar se revogaria ou não a autorização para a implementação da termelétrica da Bolognesi em Rio Grande, devido à preocupação quanto ao prazo de execução do empreendimento (o cronograma original previa operação até janeiro de 2019). Contudo, em fevereiro, o órgão regulador decidiu pela suspensão do processo de revogação da outorga da usina até o final de agosto. Se, até essa data, a Bolognesi não comprovar pontos como sustentável estruturação financeira e obtenção dos licenciamentos devidos, o processo punitivo poderá ser retomado.

    Uma fonte ligada diretamente ao empreendimento afirma que o projeto gaúcho será conduzido pela Bolognesi e a meta é concluir a térmica em 2021. Já outra fonte que acompanha o assunto pensa que a Bolognesi “deu um passo maior que a perna”. Entre as dificuldades que se apresentaram estão a mudança do mercado do gás com o shale gas (gás de folhelho ou também chamado gás de xisto), a desvalorização do real e o descumprimento de cronogramas estipulados. Uma especulação que surgiu foi que a Shell assumiria a iniciativa, no entanto, até o momento, essa possibilidade não se confirmou.

    Enquanto tenta desembaraçar as questões envolvendo o empreendimento em Rio Grande, a Bolognesi anunciou a venda do projeto de uma termelétrica idêntica à que será desenvolvida no Estado para a Prumo Logística. Essa usina, de 1238 MW de capacidade (cerca de um terço da demanda de energia elétrica dos gaúchos), também saiu vencedora de um leilão de energia promovido pelo governo federal em 2014 e encontra-se com as obras atrasadas. Inicialmente, essa térmica seria erguida em Pernambuco, porém, com a mudança de controle, a estrutura será implementada no Porto do Açu, no município de São João da Barra, no Rio de Janeiro. As empresas não revelaram o montante envolvido na transação.

    O vice-coordenador do Fórum de Infraestrutura da Agenda 2020, Paulo Menzel, considera que essa movimentação será benéfica para a iniciativa conduzida no Rio Grande do Sul, pois permitirá que a Bolognesi foque no empreendimento gaúcho. Caso seja necessário, Menzel acredita que seja possível renegociar prazos com a Aneel. O dirigente salienta que se trata de uma iniciativa muito relevante para a região, porque, além de ser uma enorme fonte de energia elétrica, implicará a instalação de um terminal de gás natural liquefeito (GNL) que abrirá uma nova oportunidade para o suprimento desse insumo. O gás chegará até esse ponto transportado através de navios. O investimento previsto no total do complexo (usina mais terminal) supera o patamar dos R$ 3 bilhões.




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