FUTURO DE HOSPITAIS COM ATÉ 30 LEITOS PREOCUPA GESTORES DA REGIÃO

    Hospital Nossa Senhora da Glória, do Herval, é um dos que pode ser atingido pela nova formatação.  

    Estado quer transformá-los em pronto atendimento e gestores temem a perda de 82 leitos

    Um mar de dúvidas. Assim o prefeito de Herval, Ruben Wilhelmsen (PSDB), definiu a proposta do governo estadual em transformar os hospitais de pequeno porte em unidades de Pronto Atendimento de Urgência (Padus).

    Durante reunião promovida na última quinta-feira, na sede da Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul), em Pelotas, prefeitos e gestores de saúde debateram o assunto com o coordenador regional, Gabriel Andina. Conforme o levantamento, os hospitais de Morro Redondo, Santana da Boa Vista, Herval e Amaral Ferrador estão enquadrados nesta nova política e a região perderia 82 leitos. “ Estamos inseguros sobre a funcionalidade destas novas unidades, bem como, sobre o repasse de recursos para cobrir os custos. Hoje em dia, nossos hospitais internam os pacientes, com a criação do PADU há apenas previsão para leitos de observação por 48 horas. E após este período, para onde se leva o cidadão? E onde vamos alojar os pacientes em estado terminal?”, indagou o prefeito.

    Para a secretária de São Lourenço do Sul, Arita Bergmann, o problema ainda é mais complexo, uma vez que a proposta apresenta questões técnicas que devem ser analisadas pelo Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do RS (Cosen). “ Não se pode fazer a escolha sem que sejam avaliados custos, por exemplo, com o deslocamento dos pacientes, com a devida pactuação regional e com inseguranças sobre as autorizações de internação hospitalares (AIHs) nos hospitais referenciados”, disse.

    Na tentativa de defender a proposta estadual, Andina rebateu o posicionamento da Azonasul afirmando que o Estado executou um amplo estudo para a elaboração da proposta. Ele sustentou a tese de que, na Zona Sul, os 82 leitos pertencentes às unidades hospitalares  estão ociosos, gerando custos à rede hospitalar e que a maioria das unidades de pequeno porte está em desacordo com as normas da Vigilância Sanitária. “ Na verdade, estas unidades já trabalham como pronto atendimento. Estamos propondo uma readequação para atender uma portaria federal que regulamenta os financiamentos e as transferências de recursos para ações e serviços de saúde”, explicou.

    ENCAMINHAMENTOS – O assunto voltará à pauta durante a reunião do Cosen/Sul, prevista para ocorrer no dia 16 de agosto, às 9h, na sede da Associação Comercial e Industrial de São Lourenço do Sul. No encontro, a 3ª Coordenadoria deverá apresentar a proposta detalhadamente com os devidos relatórios técnicos. O impasse, no entanto, deverá seguir uma vez que os gestores de saúde das prefeituras confrontam a legislação vigente, que prevê o funcionamento dos hospitais de pequeno porte e a falta de entendimentos sobre as exigências da Vigilância Sanitária para conceder os devidos alvarás às unidades. “ Vamos criar um grupo de trabalho para mapear a situação regional”, adiantou a secretaria Arita.




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